segunda-feira, setembro 28, 2009

8º Sahara Aventura 2007 – Diário de Bordo



Sahara Aventura 2007 – Diário de Bordo

29 Novembro 2007
( Viana do Castelo / Aveiro / Lisboa)
( Fuente de Cantos - Badajoz)

Distancias percorridas:
- Paulo Ferreira 615 km / Rui Caldeira 440 km

Partiram então para Envendos (Portalegre), fazendo uma paragem na Mealhada para comer o belo do leitão, onde tinham combinado encontrar-se com Paulo Silva.
Este último, ainda não habituado aos atrasos do Caldeira e do Ferreira, fez questão de chegar à hora marcada, o que lhe permitiu uma espectacular espera de uma hora.

Feitas as últimas preparações em Envendos partimos em direcção a Sevilha. A poucos kms, na A23, por motivos que não completamente compreendidos, o carro do Paulo Ferreira torna-se altamente instável, o que quase provocou um capotamento.

Uns kms mais tarde, e fruto do óptimo planeamento e atenção a que o Caldeira nos tem habituado, o seu série ficou sem gasóleo. Sangrados os injectores e posto o carro a trabalhar seguimos viagem.

Kms (poucos) adiante (pouco antes de Elvas), nova paragem. Desta feita para distribuir melhor a carga do carro de Paulo Ferreira. A estabilidade do carro melhorou significativamente.

A 120 kms de Sevilha desviamos para Fuente de Cantos à procura de uma bomba de gasolina. Apanhamos uma operação stop. Fomos bem tratados e até informados de que as bombas apenas abririam às 06h00. Decidimos pernoitar.

Hotel: Hotel Rural "La fábrica"/quarto duplo 55 euros / qualidade-preço: bom


30 de Novembro de 2007
(Fuente de Cantos - Badajoz / Casablanca)
Distância percorrida: 660 km


Após uma noite bem passada no hotel rural "La Fábrica", iniciamos a nossa viagem em direcção a Tarifa depois do pequeno-almoço tomado e viaturas igualmente abastecidas.
Seguimos, então, em direcção a Tarifa, para aí efectuar a travessia para Marrocos.

Com Dino Duarte e Paulo Silva ao comando das máquinas, a viagem desenrolou-se sem grandes percalços. O objectivo era apanhar o ferry das 15h00, o qual falhamos por cerca de 15min, devido ao trânsito entre Cadiz e Tarifa.

Visto que o próximo ferry tinha partida prevista para daí a 2h aproveitamos a oportunidade para almoçar.

Depois de bem negociada a refeição com a simpática senhora que nos atendeu, tivemos que comer a toda a pressa, uma vez que as nossas viaturas se encontravam nos primeiros lugares para a entrada no ferry.

Na entrada do ferry tivemos oportunidade de conhecer alguns dos elementos da organização da prova.
Para além do tempo superior ao esperado (cerca de 1h contra os 35m anunciados), a travessia em direcção a Tanger correu dentro da normalidade esperada. As dificuldades, apenas burocráticas, surgiram na fronteira. Aí perdemos cerca de 1h30, em grande parte por problemas na entrada de Rui Caldeira e sua viatura ... Por alegado esquecimento de uma parte do processo por parte dos funcionários alfandegários.

Na espera, Paulo Ferreira e Paulo Silva travaram conhecimentos com um ilustre marroquino, o qual fez questão de solicitar uns cobres pela companhia que lhes fez.
Chegados, Rui Caldeira e Dino Duarte aproveitaram para levantar alguns dirams, sendo os seus movimentos seguidos de muito perto por dois locais, com aspecto mal intencionado e de saberem as escola toda! A operação terminou sem percalços, muito se devendo ao factor dissuasor provocado pelo esbelto e escultural corpo de Paulo Ferreira.

Atravessamos então Tanger em direcção a Casablanca. O trânsito aí encontrado era caótico. Peões a atravessar avenidas e rotundas na diagonal, sem qualquer preocupação aparente, carros a buzinar a peões que tentavam atravessar nas passadeiras ... Enfim, divertimento para todos os gostos onde o que prevalece é o oposto ao código da estrada.
Depois de termos atravessado umas 3 ou quatro vezes a estrada que devíamos apanhar, lá seguimos o nosso destino.
Nos arredores de Tanger, aproveitamos para abastecer as viaturas e o nosso próprio estômago com tangin e atah (pão característico).

A Acompanhar uns magníficos sumos de frutas, ou seriam galões?

Pelas 21h30 seguimos viagem em direcção ao nosso destino de hoje. O resto da viagem desenrolou-se quase completamente por auto-estrada, havendo apenas duas situações a destacar e ambas protagonizadas por Rui Caldeira:

1. O condutor de uma viatura avariada teve a coragem de tentar mandar parar o Rui no meio de uma facha de rodagem da auto-estrada ... O resultado ia sendo um marroquino passado a ferro;
2. Numa via rápida, nas imediações de Rabat, Rui foi mandado parar pelas autoridades policiais para uma breve repreensão por, alegadamente, circular acima do limite de velocidade. Com um Serie III factos destes devem ser muito raros, mas Rui conseguiu!

Chegados a Casablanca tínhamos o Miguel à nossa espera. Miguel é um amigo de Rui Caldeira e Dino Duarte, com quem tínhamos previamente combinado pernoitar em sua casa.

Fizemos uma breve passagem por casa de Miguel e fomos conhecer um pouco da noite de Casablanca. Paulo Ferreira volta a estar em grande.

01 Dezembro
de 2007
( Casablanca / Ouarzazate)
- Distância percorrida: 435 km


Levantamo-nos pelas 10h. Fomos com Miguel tomar o pequeno-almoço e tentar comprar um filtro de ar para o carro de Paulo Ferreira. Este último objectivo não foi conseguido. Paulo ferreira segue viagem sem filtro de ar de substituição para a sua viatura.

Recolhemos os nossos pertences em casa de Miguel e fomos conduzidos por este à saída de Casablanca em direcção a Marrakech. Despedimo-nos deste e seguimos viagem, tendo feito uma breve paragem para novo abastecimento de combustível. Obrigado por tudo Miguel.

Cerca das 15h00 apanhamos a auto-estrada em direcção a Marrakech, onde passamos nas imediações cerca das 17h30. Ai encontramos alguns participantes no Sahara Aventura bem como os jornalistas, Luis Almeida(Motor) e Manolo (Revista 4x4/Espirito Land), que ficariam em Marrakech essa noite, nos decidimos atravessar o Atlas de noite…

Nova interacção com as entidades policiais em Marrakech. Desta feita, Paulo Ferreira terá passado num sinal vermelho. Nenhum dos quatro se apercebeu, sequer, da existência de semáforo. Mais uma vez, passamos o situação com uma simples repreensão. O polícia disse a Rui Caldeira "diga lá ao seu amigo para ir com calma. As leis são para se cumprir", não sem antes fazer uma referência a Luís Figo.

Na travessia do Atlas paramos para um upgrade ao estômago. Terceira refeição consecutiva com ovos e a segunda de tagines kefta. O “castrol” que se cuide.

Seguimos a nossa viagem em direcção a Ouarzazate, por uma estrada de montanha bastante difícil, não apenas devido ao traçado, mas também devido ao grande número de camiões que tivemos que ultrapassar.

Atingimos uma altitude máxima próxima dos 2300 m. Tivemos, ainda na travessia do atlas, a companhia da neve durante alguns kms.

Chegados a Ouarzazate cerca das 23h45 e rumamos ao hotel íbis onde o nosso amigo Miguel de Casablanca tinha feito previamente a reserva dos nossos quartos.

Mais uma ligação efectuada, sem muitos kms percorridos, mas muito cansativa.

Ouarzazate parece ter muito que ver ... Daremos conta no dia de amanhã daquilo que nos for possível ver. Agora o merecido descanso.

02 de Dezembro de 2007
( Ouarzazate / Foum Zguid)

A noite anterior ficou marcada pela ausência de Dino, que ficou a descansar enquanto os restantes elementos decidiram conhecer um pouco do folclore e gastronomia locais. Depois de entrar num recinto de espectáculos completamente cheio onde permanecemos 10 segundos, devido às faces com que nos olhavam e curiosidade despertada nos locais, fomos encaminhados por um funcionário que, verificando que éramos forasteiros, nos indicou o andar de cima como mais próprio à nossa condição. Ai podemos observar um espectáculo de dança do ventre assim como ouvir um sósia de Manuel Galrilho Bento a actuar. Um amigo francês ai conhecido fez as honras da casa.

Iniciamos o dia em Ouarzazate com um reforçado pequeno-almoço no hotel, ao que se seguiu uma verificação dos níveis das viaturas. Contávamos já com mais de 1500 km sem que o capot tivesse sido aberto. Tudo estava conforme!

Fomos, então abastecer as viaturas e verificou-se a existência de uma fuga no depósito suplementar de gasóleo do Série III de Rui Caldeira.
Saímos de Ouarzazate em direcção a Foum Zguid pelas 12h00. Pelo caminho paramos numa aldeia/ oásis de seu nome Salat.

Nessa paragem, Paulo Ferreira verificou não conseguir ligar o cubo da roda dianteira direita, o que significa que o seu Série III está sem tracção à frente. Decidimos pela resolução deste problema mecânico para depois das verificações técnicas de hoje à tarde.

Seguindo viagem, e alguns kms mais adiante, procedemos à distribuição de parte da ajuda humanitária que levávamos. Após alguma desconfiança inicial dos locais, a nossa acção foi um sucesso. A táctica adoptada por este povo é, também, muito comum em Portugal: foi assim, digamos à base do tudo a monte.

Chegamos a Foum Zguid (local de início da prova) pelas 15h30. Os carros de Rui Caldeira e Paulo Ferreira percorreram 1709 e 1895 kms, respectivamente. Chegados ao bivouac, fomos conduzidos à nossa espectacular tenda.

Paulo Ferreira, e ao contrário do anteriormente previsto, atira-se de cabeça para resolução do problema mecânico anteriormente identificado. Desmontado cubo de roda livre, verificou-se que o interior do mesmo estava partido. Foi, então, substituído por um cubo de roda de origem. Teste feito e problema solucionado.

Passamos para a preparação das viaturas para posterior verificação técnica, enchimento dos depósitos de agua potável, arrumações, preparação do material obrigatório, etc.

Efectuamos as verificações administrativas, tendo sido muito bem tratados por uma advogada espanhola a trabalhar em Portugal há 8 anos, a Maria, que tínhamos conhecido no Ferry. Fomos muito bem tratados ... Neste particular o efeito "Dino" foi notório! De seguida passamos à entrega dos gps para carregamento de waypoints. Aqui começaram os problemas. Umas pilhas recentemente carregadas não quiseram colaborar. Duas trocas de pilhas e aí estávamos nós preparados para o próximo obstáculo os telemóveis por satélite. Deveríamos ser das poucas equipas com o dobro dos equipamentos exigidos pelo regulamento. O mais espectacular foi que nenhum dos equipamentos se conseguia registar na rede. Após troca de cartões sim a questão foi ultrapassada.

Fomos então jantar na nossa magnânime tenda. A Paulo Silva e Paulo Ferreira valeu o zelo de Rui Caldeira e Dino Duarte na preparação desta aventura pois estes tiveram o cuidado de se fazer acompanhar de coisas muito apreciadas nestes momentos, nomeadamente, presunto, rojões e pão tradicional. Uma palavra de apreço à sogra do Dino pelos rojões! Sem dúvida uma excelente alternativa às barras e bebidas energéticas compradas pelos 2 Paulos.

Fomos aguardando pelas verificações técnicas, que insistiam em tardar… feito o briefing, analisamos as cartas da prova e fomos dormir … tivemos uma das piores noites das nossas vidas. O frio foi mais que muito!





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